27 de outubro de 2026 – Cerca de 550 participantes, 80 empresas expositoras e mais de 60 workshops marcaram uma edição que trouxe a Portugal exemplos internacionais de como levar a Passive House a milhares de habitações, mantendo o foco na qualidade, no desempenho e nos custos de construção.
Nesta edição, uma das grandes questões esteve no centro do programa: como passar de projetos pontuais para construir Passive House em grande escala? A resposta chegou através de experiências concretas de mercados onde essa transformação já está a acontecer.
De projetos pontuais para milhares de habitações Passive House
Um dos exemplos internacionais em maior destaque foi o Grupo LOBE, apresentado por Jesús Díaz, Diretor de Produção do grupo, que mostrou como a empresa espanhola integrou o padrão Passive House na sua forma de projetar, construir e promover.
“Nos últimos dez anos fomos industrializando e otimizando continuamente o nosso processo construtivo. Hoje temos cerca de 7.000 habitações Passive House, em diferentes modelos, desde habitação para venda e arrendamento até habitação social, e conseguimos reduzir de forma muito significativa as horas de trabalho em obra e melhorar a eficiência dos edifícios. Chegámos a um ponto em que conseguimos construir Passive House a um custo inferior ao da construção tradicional e, no final, entregar um imóvel mais valorizado pelo mercado e com melhor desempenho”, explica Jesús Díaz, Diretor de Produção do Grupo LOBE.
A experiência espanhola mostrou que construir Passive House em escala não depende apenas da escolha de soluções técnicas, mas de um processo integrado que começa no projeto e passa pela industrialização, repetição de soluções, planeamento e controlo da execução.
Esta discussão foi alargada a Portugal numa mesa redonda que juntou representantes do Grupo Casais, Cushman & Wakefield e Savills, trazendo as perspetivas da construção, do imobiliário e da consultoria para o debate sobre as condições necessárias para aumentar a presença da Passive House no mercado nacional.

Comunicar menos técnica e mais qualidade de vida
Dos Estados Unidos chegou outra perspetiva. Michael Ingui, arquiteto e fundador da Ingui Architecture e do Passive House Accelerator, apresentou alguns dos projetos Passive House desenvolvidos pelo seu atelier em Nova Iorque, mas colocou também um forte foco num desafio que considera essencial para o crescimento do conceito: a forma como o comunicamos.
“Se queremos que a Passive House chegue a mais pessoas temos de simplificar a forma como a comunicamos. As pessoas não procuram pontes térmicas ou estanquidade ao ar. Procuram uma casa confortável, saudável, sem humidades ou bolores e com melhor qualidade do ar interior. É sobre esses benefícios e sobre a qualidade de vida que devemos falar”, defende Michael Ingui, fundador da Ingui Architecture e do Passive House Accelerator.
O arquiteto partilhou ainda exemplos de iniciativas desenvolvidas nos Estados Unidos, incluindo conversas e painéis com construtores, que procuram aproximar a Passive House do mercado e transformar um conceito técnico numa proposta de valor facilmente compreendida por quem vai efetivamente utilizar os edifícios.

Construímos hoje edifícios preparados para o futuro?
Se Jesús Díaz trouxe um modelo já aplicado em grande escala e Michael Ingui mostrou a importância de comunicar melhor o seu valor, Lloyd Alter encerrou a Conferência deixando sobretudo perguntas.
O arquiteto, autor e professor de Sustainable Design refletiu sobre a forma como vamos habitar um mundo sujeito a temperaturas mais elevadas, fenómenos climáticos extremos mais frequentes e maior instabilidade no acesso à energia e a outros recursos.
Uma reflexão que colocou a eficiência, a resiliência e o desempenho passivo no centro da discussão e lançou uma questão fundamental para todo o setor: podemos continuar a construir hoje da mesma forma quando sabemos que os edifícios terão de responder a condições muito diferentes no futuro?

Mais de 60 workshops e 12 visitas Passive House para mostrar como se faz
Para além das sessões do Grande Auditório, a 14ª Conferência Passivhaus Portugal voltou a apostar fortemente na componente prática. Ao longo dos dois dias realizaram-se mais de 60 workshops, distribuídos por diferentes zonas, onde foram apresentados projetos Passive House, soluções construtivas, sistemas e equipamentos por profissionais e empresas que os desenvolvem e aplicam em contexto real.


No dia 22 de outubro, a Conferência saiu novamente do Centro de Congressos com as visitas guiadas a Passive Houses, permitindo conhecer no local edifícios construídos segundo este padrão e contactar diretamente com os projetos e as soluções utilizadas.

Passivhaus Portugal lança 15 bolsas de estudo
A 14.ª Conferência ficou também marcada pelo lançamento das novas Bolsas de Estudo Passive House. Ao longo do próximo ano serão atribuídas 15 bolsas, dirigidas a membros recém-inscritos na Ordem dos Engenheiros, Ordem dos Arquitetos e Ordem dos Engenheiros Técnicos.
A iniciativa pretende aproximar uma nova geração de profissionais do conhecimento Passive House e reforçar competências numa área que assume uma importância crescente perante os desafios de qualidade, conforto e desempenho do parque edificado.
As candidaturas são efetuadas através do preenchimento do formulário.
Mais informações aqui: https://passivhaus.pt/noticias/bolsas-de-estudo-passive-house-1a-edicao/.

Conferência regressa a Aveiro em outubro de 2027
A próxima edição da Conferência Passivhaus Portugal já tem data marcada. A 15.ª Conferência Passivhaus Portugal realiza-se nos dias 19 e 20 de outubro de 2027, novamente no Centro de Congressos de Aveiro. O dia 21 de outubro de 2027 será dedicado às visitas guiadas a Passive Houses. Depois de uma edição centrada em perceber como tornar o excecional comum, a Conferência deixa uma conclusão clara: a Passive House em grande escala já não é uma possibilidade teórica. Existem projetos, empresas e mercados que mostram que é possível fazê-lo. O desafio passa agora por transformar essa experiência em prática corrente também em Portugal.

A reportagem fotográfica completa pode ser acedida aqui.