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A importância da orientação solar (também) nas Passive House

Autor: PassivHaus
30/07/2021



A orientação solar não é mais que a relação do edifício com a sua exposição solar, fruto do “movimento” do sol. Esta relação depende da localização do edifício (latitude, topologia, equipamentos/estruturas vizinhas), da altura do ano e da altura do dia. Por outro lado a sua optimização depende do tipo de edifício (tipologia, forma, dimensão, etc.) e deverá ser cuidadosamente analisada no projecto. 

 

Mas será a orientação solar assim tão importante quando se projecta um edifício? Mesmo numa Passive House?

 

A resposta é claramente sim, é importante. A orientação solar, depois do edifício construído, não se pode alterar… a relação entre o sol e o edifício mantém-se sempre a mesma. O que se poderá alterar é a localização das janelas, do seu tamanho e características. Pois é através delas que o sol (luz e energia) pode “entrar” e estas têm um enorme impacto no desempenho final do edifício.

 


O resultado da boa orientação solar (© PHI)

 

 

O conceito em si é simples, mas por vezes gera alguma confusão e muitos confundem o projecto de uma Passive House com um “projeto solar passivo”. Ou seja, assumem que a orientação solar é um factor crítico nas Passive House, tal como é para o projecto solar passivo, mas isso não é verdade… as Passive House abordam o projecto de forma holística. Aliás, se analisarmos os 5 princípios de uma Passive House a orientação solar não é referida… Isto porque está integrada numa abordagem mais ampla e muito relacionada com os vãos envidraçados, ou melhor dizendo, as janelas. Também já aqui no blog temos falado na relevância das janelas e como podem influenciar o desempenho do edifício.

 


Diagramas solares: Faro vs Valença (© Francisco Moita - “Energia Solar Passiva”)

 

 

É através delas que se obtêm os ganhos solares (ou perdas) que são considerados em qualquer dimensionamento térmico. Mas as janelas não são as únicas fontes de ganhos, ou seja fontes de calor… há também os ganhos internos, que são aqueles que advêm da utilização do edifício (como de equipamentos, luz eléctrica, pessoas, etc) e ainda a energia do sistema de aquecimento. (Como vimos no artigo anterior há vários tipos de edifícios e os ganhos internos de uma habitação ou escritórios são muito diferentes dos de um museu ou igreja… também por isso não há duas Passive House iguais.) 

 

 


Biblioteca em Pittsburgh: (© Thoughtful Balance Architecture)

 

No dimensionamento de uma Passive House (em Portugal, hemisfério norte) devem orientar-se as janelas para sul; dessa forma otimizar-se-á o conforto equilibrando os ganhos solares. Já as janelas voltadas para este ou oeste são difíceis de sombrear devido baixa inclinação da radiação solar e se forem muito grandes, aumenta o risco de sobreaquecimento. Mas não é apenas uma questão de orientação e dimensionamento das janelas, mas também de organização dos espaços e usos interiores.

 

Segundo o Arq. Francisco Moita...

 

“É, aliás, de toda a conveniência que a concepção espacial interior dos edifícios, sobretudo daqueles que se destinam à habitação, seja feita sob o ponto de vista da hierarquização térmica dos espaços, criando-se as chamadas “zonas térmicas intermediárias” ou “zonas tampão”. Assim, no espaço interior situado a Norte devem ficar orientadas funções secundárias, tais como arrecadações, despensas, corredores, etc. da mesma forma que se deve dar prioridades a Sul às funções principais, ou seja, à maior superfície habitada”.

 

 

Como explicado a orientação solar e as janelas interferem nos ganhos solares que por sua vez influenciam muito o balanço energético (ganhos totais VS perdas totais) o que significa que qualquer alteração nas janelas pode comprometer o desempenho global do edifício. Por vezes devido ao planeamento urbano, ao loteamento existente ou ao facto de se tratar de uma reabilitação, como por exemplo a “Casa da Cestaria”, não é possível mudar a orientação solar. Mas, quase sempre, é possível olhar para o projecto e redistribuir os espaços interiores.

 

 


Aproveitamento da única fachada orientada a Sul na Cestaria (© Gonçalo Miller)

 

 

A abordagem global no dimensionamento permite “olhar” para o projecto e optimizar e equilibrar soluções por forma a se atingirem os desempenhos de uma Passive House. Essa é uma das grandes vantagens da Passive House… podemos ter um elevado desempenho sem ter a óptima orientação solar.

 

Muitas vezes, os desequilíbrios são compensados com a utilização de melhor (menor condutibilidade térmica) ou mais espesso (maior resistência térmica) isolamento térmico (nas parede e/ou coberturas) e logo mais caro. Mas o que é realmente importante numa Passive House é a abordagem global a todas estas questões no sentido de optimização do projecto e garantia de manutenção do conforto.

 

A orientação solar é importante em qualquer edifício, Passive House ou não, mas deve ser encarada como mais uma característica do projecto; mais um parâmetro a incluir na tentativa de dimensionar o projecto óptimo.

 


Tag(s): #Desempenho, #SolarPassivo, #Janelas

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