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9 Fundamentos de um Edifício Saudável (segundo Harvard) - Parte 2

Autor: PassivHaus
27/01/2020



Recentemente publicámos um artigo sobre alguns dos 9 fundamentos de um edifício saudável, baseado num estudo da Universidade de Harvard. A Escola de Saúde Pública de Harvard desenvolveu um programa e reuniu um conjunto de especialistas que identificaram os 9 Fundamentos de um Edifício Saudável.


Nesse artigo falámos de 3 dos 9 fundamentos (a ventilação, a qualidade do ar interior e o conforto térmico) e uma das perguntas mais relevantes que se colocava era: será que os edifícios estão a deixar-nos doentes?

 

Será que este edifício é um edifício saudável? Será que não devíamos fazer check-ups regulares aos nossos edifícios?

Pois bem, este estudo identificou para além dos 3 fundamentos acima, mais seis:

 

1. Ruído
2. Humidade
3. Iluminação e vistas
4. Pó e pragas
5. Protecção e Segurança
6. Qualidade da água

 

Alguns destes fundamentos são também preocupações das Passive House e pelo menos três são abordados no seu projecto e construção.

 

O ruído é definido neste estudo como som indesejado que pode ter a sua fonte no exterior (ruído de trafego aéreo e rodoviário, obras, etc.) ou no interior (devido a equipamentos de ar condicionado, equipamentos em geral e eletrodomésticos). O ruído pode impactar de forma muito significativa na saúde das pessoas, e estudos indicam que o aumento dos níveis de ruído está associado a maior pressão arterial sistólica e diastólica, alterações na frequência cardíaca e hipertensão. A exposição ao ruído dentro dos edifícios é um problema que pode impactar com o desempenho das tarefas a realizar por todos os utilizadores do edifício. Segundo o estudo de Harvard uma pesquisa recente com mais de 1.200 trabalhadores constatou que 53% relatavam que o ruído ambiente reduzia sua satisfação e produtividade no trabalho. Uma Passive House é edifício optimizado que consegue níveis de ruído muito baixos, e portanto, desse ponto de vista é um edifício saudável.

 

Outro dos fundamentos identificados é a humidade dentro dos edifícios. Esta humidade, e eventual entrada de água, pode ter a ver com a má construção, materiais de construção sem as características mínimas de qualidade e a falta de manutenção do edifício. Segundo a publicação de Harvard a exposição a humidades (que permitem o desenvolvimento de mofos e bolores) é a principal preocupação na prevenção de doenças respiratórias como asma ou alergias. Aliás, segundo a EPA (Environmental Protection Agency) a exposição a humidades e mofos, por exemplo no sector residencial, contribui para 21% dos 21,8 milhões de casos de asma que surgem todos os anos.

 

As principais fontes de humidade nos edifícios podem incluir: infiltrações (como fugas da canalização, problemas na cobertura, cheias), condensações de superfícies frias ou pontes térmicas (devido ao mau e/ou deficiente isolamento térmicos, janelas e caixilharias com baixo desempenho térmico), fraca manutenção ou falta de impermeabilização das fundações.

 

Um dos pontos mais problemáticos e susceptíveis de desenvolver humidades nos edifícios são as designadas pontes térmicas (locais preferenciais de passagem de energia que, frequentemente, têm temperaturas superficiais críticas). Felizmente a minimização ou mesmo anulação das pontes térmicas na envolvente é um dos requisitos básicos das Passive House e mais uma vez o conceito cumpre com outro dos fundamentos de um edifício saudável que é garantir a minimização de humidades no interior.

 

Outro fundamento é a iluminação e vistas. À partida não parece ser algo que permita que um edifício seja mais saudável que outro…contudo, de acordo com esta publicação observou-se que os alunos nas salas de aula com acesso a vistas verdes através de suas janelas experimentavam uma recuperação significativamente mais rápida do stress e fadiga mental e um desempenho significativamente maior nos testes de atenção, em comparação com os alunos nas salas de aula sem janelas ou janelas com vista para as fachadas de outros edifícios.  

 

 

 

 

A relação com o exterior é algo que é considerado no projecto de uma Passive House, nomeadamente, a orientação solar e a relação entre a área de janelas (envidraçados) e as paredes (envolvente opaca). A área do vidro das janelas e sua orientação são factores relevantes num edifício de elevado desempenho energético já que esta relação pode potenciar os ganhos solares no inverno e minimizá-los no verão. Portanto a iluminação natural, que depois é completada com a artificial, é também um dos factores analisados numa Passive House…o que não poderia deixar de ser já que estes são edifícios saudáveis.

 

Ainda segundo Harvard, para garantir um edifício saudável temos também que avaliar a presença de pós e pragas, garantir que o edifício é seguro e avaliar a qualidade da água.

 

A presença de pós e pragas é comum dentro dos edifícios, mas…

 


 

... sabia que um adulto ingere até 100mg de pó doméstico por dia e uma criança até 200mg

 


 

Uma das principais preocupações são o pó e o pêlo introduzido nos edifícios pelos animais. Estes introduzem alergénicos no ambiente interior o que pode causar reacções alérgicas em adultos e crianças. As fontes mais relevantes para a introdução estes agentes poluidores são: ácaros, baratas, ratos, cães e gatos.

 

O facto das Passive House possuírem sistemas de ventilação mecânica com filtros de elevada qualidade permite que, logo à partida, as partículas vindas do exterior sejam retidas à entrada e permite também que parte desta “poluição interna” possa ser retida. Desta forma a qualidade do ar interior é melhorada, não só porque há uma circulação do ar com insuflação e extração, mas também porque os filtros existentes no sistema de ventilação são bastante eficientes.

 

Se pensarmos no primeiro objectivo dos edifícios concluímos que é a segurança. Os nossos antepassados mais longínquos começaram por construir edifícios para se protegerem do clima, dos ataques de animais e até de assaltos. Por isso, seria incongruente um edifício saudável não ser um edifício seguro…Segurança do ponto de vista da integridade física de quem usa o edifício. O estudo de Harvard indica que o facto do ser humano se sentir inseguro pode desencadear reações fisiológicas como a libertação de hormonas, o aumento da pressão sanguínea e outras. O constante stress pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento de doenças autoimunes e a elevada pressão sanguínea coloca indivíduos em elevado risco de hipertensão e problemas cardiovasculares.

 

As Passive House, à primeira vista, não são edifícios mais seguros que os edifícios tradicionais, contudo se pensarmos que as pessoas que o usam sabem que é um edifico saudável é de acreditar que se vão sentir muito mais seguros.

 

A qualidade da água que chega aos edifícios é essencial para que estes sejam saudáveis. A água que chega à torneira é utilizada para tudo dentro do edifício, desde da rega das plantas até para consumo das pessoas.

As Passive House não têm (ainda) nenhum requisito quanto a este fundamento, no entanto essa qualidade é essencialmente garantida pelas entidades responsáveis, como os municípios e outras.

 

Com estes seis fundamentos garantidos, segundo Harvard, temos um edifício saudável. Felizmente as Passive House cumprem praticamente todos os fundamentos do estudo sobre o que é um edifício saudável e, além disso, ainda são energeticamente eficientes.

 

 

 

 


Tag(s): #Ventilacao, #Saude, #QualidadeDoArInterior

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